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E se a gente esperar demais?

A gente fala tanto em musicalidade, brincar, criar… mas será que entende mesmo o quanto a primeira infância é decisiva nesse processo? Tem quem ache que “ainda é cedo”, que música vem depois, que bebês só assistem. Mas quem convive com crianças pequenas sabe: é agora que tudo começa a se formar.

Os primeiros anos são de pura abertura. O cérebro tá ali, borbulhando de conexões. O corpo quer experimentar, o ouvido tá atento a tudo. E é nesse terreno fértil que a musicalidade pode crescer — se tiver espaço, presença e afeto.

A neuroeducadora Anita Collins fala disso com clareza: quando a criança tem vivências musicais consistentes desde cedo, o cérebro se conecta de maneiras que nenhuma outra atividade proporciona. E o resultado vai muito além da música: envolve linguagem, memória, atenção, criatividade.

Autores como Edwin Gordon (com a Teoria de Aprendizagem Musical) e Lev Vigotski (com a Psicologia Histórico-Cultural) também ajudam a gente a entender por que isso é tão potente. E mais importante: por que faz diferença como a gente propõe música nesse momento da vida.

Pontos que ajudam a clarear

  • Vivência vem antes do “ensinar”Criança pequena não aprende porque a gente ensina. Aprende porque vive. Escuta, repete, brinca, inventa. Quando isso acontece com liberdade e escuta verdadeira, a musicalidade floresce. Gordon chama esse processo de audiação — a escuta que acontece por dentro, mesmo sem som externo. Vigotski explicaria isso como pensamento nascendo da ação concreta.
  • A música vem como a fala: começa ouvindoA gente não cobra que um bebê fale antes de escutar, certo? Com música é a mesma coisa! A escuta vem antes da expressão dentro da sintaxe! Primeiro, a criança se banha em sons, explora, imita… e então começa a entender conscientemente — e só então formaliza.
  • Ninguém aprende sozinhoOs aprendizados musicais são construídos nas trocas, nas relações. O adulto que canta olhando nos olhos, o ambiente que convida… é no encontro com o outro que o pensamento se expande.

No fim das contas…

A gente não precisa (e nem deve) esperar a criança “crescer” pra começar. A primeira infância é agora. E oferecer música com presença, intenção e liberdade de criação é uma das formas mais lindas de cuidar da infância e das potências humanas que florescem com ela.

Quer se aprofundar mais nesse papo? Esse texto foi inspirado no artigo: “Imaginação e criação na infância: diálogos iniciais entre a Teoria de Aprendizagem Musical de Edwin Gordon e a Psicologia Histórico-Cultural de Lev Vigotski”

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/391907731_Desconstruindo_barreiras_o_que_Gordon_e_Vigotski_nos_ensinam_sobre_o_aprendizado_musical_na_primeira_infancia

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