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Infância, desenvolvimento e música: um espaço para observar com mais tempo

Vivemos um tempo em que há informação demais sobre infância — e, na verdade, sobre tudo. Eu sinto que esse acúmulo, muitas vezes, nos afasta do que mais importa: a possibilidade de observar e escutar com calma, com presença, com verdade.

São muitas vozes dizendo o que fazer, o que evitar, o que é certo e o que é errado. Mas pouco se fala sobre as incertezas, sobre estar presente, sobre essa montanha-russa que é viver e ainda zelar pela vida das crianças. No meio de tantas orientações, nem sempre fica claro o que é essencial e o que é excesso, o que faz sentido para você, e não para a outra pessoa.

[…] a participação desse educador de infância implica a sua capacidade de harmonizar as vozes – a das crianças e a sua própria – no desenvolvimento do processo de aprendizagem (p.17)

Na tentativa de “fazer o melhor” (isso existe?), me vi consumindo informação sem tempo de integrar. E as infâncias, assim como as aprendizagens, não acontecem em fragmentos… Talvez, com menos pressa e menos ansiedade por respostas, a pergunta mais importante seja: o que é valioso agora?

Nesse caminhar, o livro Pedagogias das Miudezas, da Bruna Ribeiro (editora Pedro & João, 2022) me trouxe uma consciência muito forte sobre a escuta atenta. Não como técnica, nem como ferramenta pedagógica, mas como postura diante da vida, de bebês e crianças!

A escuta é, por excelência, a capacidade de entrarmos em conexão com o outro, nos abrirmos para o outro, para outros modos de pensar, ver, se relacionar e compreender o mundo (p.46)

Apesar de ser um livro que centraliza a escuta no contexto do ambiente escolar, é realmente uma leitura que deveria ser feita por qualquer pessoa que conviva com bebês e crianças pequenas porque entedemos que as barreiras de muros são infimas perto do que a infância significa.

Escutar exige presença. E estar presente exige, antes de tudo, escutar a si mesma… Como escutar as crianças se eu não me escuto? Como perceber o outro sem estar realmente no presente?

Escutar passou a significar observar com mais cuidado, perceber gestos, silêncios, movimentos, intenções. Diminuir o ruído externo e interno. Estar inteira no encontro. Não antecipar respostas. Não preencher todos os vazios. Confiar que há muito sendo dito mesmo quando não há palavras, e bebês são mestras(es) em nos ensinar sobre isso!

Assim, defendemos que apesar de desafiador, do ponto de vista da sociedade adultocentrada, ouvir bebês e crianças pequenas Pode subsidiar ações e políticas mais assertivas e adequadas para às infâncias, além de contribuir para a consolidação de processos participativos e democráticos (p.146)

Em 2026, compartilho o Blog da Badalu com esse desejo. De criar um espaço onde seja possível observar com calma o que há de mais valioso na vida. Onde infância, música e desenvolvimento não apareçam separados — porque, na vida real, eles não estão! Um espaço para sustentar perguntas, processos e encontros… sem pressa. Não dá para dizer tudo, mas dá para compartilhar muito com cuidado, para trocar ideias e deixar elas florescerem. A ideia é trazer reflexões baseadas em livros, relatos de experiência, mas também oportunidades de tornar tangível e real experiências e pesquisas com nós mesmas e com as crianças através de exercícios. E aqui vai:

Etapa 1 — Escutar a si (antes de qualquer coisa)

Antes de pensar na criança, faça uma pausa breve — pode ser agora ou em outro momento do dia. Perceba onde o seu corpo está. Há alguma parte mais tensa ou acelerada? Que tipo de ruído interno aparece hoje? Não é para resolver nada. É só perceber. Se quiser, fechar os olhos por alguns segundos pode ajudar. Lembre-se de respirar.

Etapa 2 — Estar presente

Escolha um momento simples com a criança: uma troca de fralda, uma brincadeira no chão, um lanche, um deslocamento. Durante esse tempo, experimente esperar com disposição — não como falta de paciência, mas como escolha consciente. Menos condução. Menos explicação. Menos antecipação. Mais corpo disponível. Mais olhar atento. Mais presença.

Etapa 3 — Escutar o que não é dito

Agora, observe. Veja o que a criança faz quando não é interrompida. Os gestos que se repetem, o ritmo do corpo, os silêncios (ou a ausência deles), a qualidade do movimento. O desafio aqui é não julgar, não transformar tudo em resposta imediata. É sustentar um olhar curioso, sem achar que já sabe. Porque só conseguimos ensinar o encantamento pelo mundo quando também nos permitimos nos maravilhar, simplesmente por estar ali, observando.

Se fizer sentido para você,

continuamos nossa conversa mês que vem!

É preciso aprendermos a escutar! A aprendizagem da escuta se faz necessária tanto do ponto de vista da manutenção da nossa humanidade como da perspectiva do exercício da profissionalidade docente na educação infantil. No entanto, é preciso aprendermos a escutar para além das palavras, buscando construir uma escuta (com todos os sentidos) que busca compreender a(s) infância(s) em sua relação com o mundo (MALAGUZZI, 1994 apud HOYUELOS, 2009,p.130). (p.23)

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